Estou Cansado:
Acho que vou parar de escrever.
O barulho voltou com tudo, e a cada dia me sinto mais desanimado.
Vou continuar desenhando enquanto ainda for possível.
Pelo menos fico feliz por ter concluído aquele projeto dos cinco contos.
No fim, acho que é melhor assim — até porque ninguém lia mesmo.
Além disso, os textos acabavam cortando o alcance dos meus desenhos, então, de qualquer forma, tudo parece apontar para eu não continuar.
Vou deixar aqui meu último desabafo sobre o barulho.
Desculpe por tudo, e obrigado pela compreensão.
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Estou Cansado:
Sinto-me muito triste e quebrado.
Até as coisas que eu gostava de fazer já não consigo mais.
Está cada vez pior. Cada vez mais complicado.
Sinto-me vazio. Sozinho.
Nenhum tratamento funciona comigo, porque o meu problema é o barulho.
Eu só quero um lugar tranquilo. Só quero ter paz.
Mas, onde moro, isso é impossível.
Ou seja: nenhum remédio vai resolver, nenhuma palavra de psicólogo vai mudar.
Enquanto houver barulho, nunca vou me sentir feliz.
Nunca vou ter paz.
E, a cada ano que passa, tudo fica pior. Mais difícil.
Às vezes tenho vontade de perfurar os meus ouvidos, só para finalmente ter silêncio.
Ou até mesmo de tirar minha vida.
Eu só quero paz.
Por favor… só paz.
Mas eu não tenho condições de comprar uma casa em um lugar tranquilo e sair desse inferno.
O pior é que os lugares calmos são caros, inacessíveis — só os ricos podem viver neles.
Talvez, para quem não sofre com isso, pareça algo pequeno.
Mas não é.
É horrível.
É como uma tortura sem fim, que nunca vai acabar, não importa o que eu faça.
Estou cansado.
Já tentei de tudo, mas nada resolve.
Eu odeio minha vida.
Eu me odeio.
Odeio a casa em que moro, odeio os vizinhos, odeio as pessoas.
Odeio este país de merda.
Odeio esse povo que não respeita ninguém, que só sabe incomodar e atrapalhar o próximo.
Viver é apenas dor — e nada mais.
No fim, não tente fazer as pessoas te entenderem.
Elas nunca vão.
Sempre vão te julgar.
Sempre vão tacar pedras em você.
Lembre-se: você sempre estará sozinho.
E nunca acredite que as coisas vão melhorar, porque elas não vão.
Existem vários tipos de dor. Várias feridas.
Mas, para as pessoas, só importa quando você passa pela pior experiência possível — a pior das torturas.
Imagine o pior dos cenários.
Se não for isso, sua dor não importa.
É apenas frescura.
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