Baleia Branca/ Baleia Albina:
Dizem que, certa vez, um marinheiro solitário enfrentou as fúrias do mar. Tempestades rasgavam os céus, e as ondas, famintas, engoliam seu barco sem piedade. Naquele abismo de água e desespero, ele viu o fim. Mas, no fundo do oceano, entre sombras e correntes, uma forma branca e imensa surgiu — silenciosa, serena. Quando abriu os olhos, estava vivo, deitado na areia de uma ilha esquecida pelo mundo. A baleia branca o salvara. Tornou-se seu mito, sua guia, sua luz no abismo. Mas toda luz lança sombras. A ilha era prisão. Os dias, iguais. A sanidade, um fio tênue entre lembrança e delírio. E o marinheiro, agora um náufrago da própria mente, passou a odiar aquilo que o salvara. Anos depois, com olhos vazios e coração de sal, construiu uma jangada com as próprias mãos trêmulas e lançou-se ao mar, gritando por liberdade. A baleia veio. Branca como a morte. Silenciosa como o fim. E, sem violência, o engoliu. Sem dor. Sem resistência. Apenas o f...