Baleia Branca ou Baleia Albina:
Tempestades rasgavam os céus, e as ondas, famintas, engoliam seu barco sem piedade.
Naquele abismo de água e desespero, ele viu o fim.
Mas, no fundo do oceano, entre sombras e correntes,
uma forma branca e imensa surgiu — silenciosa, serena.
Quando abriu os olhos, estava vivo, deitado na areia de uma ilha esquecida pelo mundo.
A baleia branca o salvara.
Tornou-se seu mito, sua guia, sua luz no abismo.
Mas toda luz lança sombras.
A ilha era prisão.
Os dias, iguais.
A sanidade, um fio tênue entre lembrança e delírio.
E o marinheiro, agora um náufrago da própria mente, passou a odiar aquilo que o salvara.
Anos depois, com olhos vazios e coração de sal,
construiu uma jangada com as próprias mãos trêmulas
e lançou-se ao mar, gritando por liberdade.
A baleia veio.
Branca como a morte.
Silenciosa como o fim.
E, sem violência, o engoliu.
Sem dor. Sem resistência.
Apenas o fim.
Pois há os que entendem:
a vida pode ser tortura,
e a morte, libertação.
A baleia branca não salva.
Ela encerra.
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