Balão em formato de rosto com chapéu:

Chovia forte.
Um homem corria pela calçada, segurando a pasta sobre a cabeça na tentativa inútil de se proteger da tempestade.

Apressado, ele quase não percebeu a figura à beira da rua — uma senhora muito idosa, parada sob uma sombrinha gasta, vendendo balões.

Ele hesitou. Então lembrou: era o aniversário de sua filha.
Sentiu-se culpado. Pensou em comprar alguns balões para agradá-la, mesmo que chegasse encharcado em casa.

Entre todos os balões coloridos, um chamou sua atenção: era diferente, em formato de rosto, com um pequeno chapéu sobre a “cabeça”. Estranhamente cativante.

— Quero aquele — disse ele, apontando. — E mais alguns, por favor.

A velha o encarou por um breve instante, com um sorriso que parecia mais antigo que ela mesma.
Entregou-lhe o balão de rosto... e mais dois, de graça.

— Um presente — sussurrou.

Confuso, mas sem tempo para questionar, o homem agradeceu e seguiu seu caminho sob a chuva.

Foi então que começou a sentir uma tontura.
Seus passos ficaram trêmulos, o chão parecia girar.

Cambaleando, caiu de joelhos e acabou soltando os balões.
E, nesse instante, sentiu algo se apertando em seu pescoço.

A fina corda do balão... estava se enrolando sozinha.

Desesperado, tentou se desvencilhar, mas era inútil.
A corda se apertava como uma serpente faminta.
Agonizou.
O mundo escureceu diante do olhar fixo do balão — que agora sorria.

Com um estalo grotesco, sua cabeça foi arrancada.
E o balão... assumiu seu lugar.

Onde antes havia um rosto comum, agora havia um balão em formato de rosto, com chapéu.
Seu rosto era idêntico ao da vítima.
Um reflexo sombrio.

Vestindo o corpo do homem, a criatura seguiu até sua casa.
Tocou a campainha.

A filha, feliz, abriu a porta e o abraçou, dizendo:

— Papai, papai, hoje é meu aniversário! Você trouxe algum presente?

Mas o “pai” não retribuiu.
Seus braços pendiam, frios.

A menina se entristeceu por ser ignorada.

Ao entrar, ele viu a esposa da vítima colocando o bolo sobre a mesa.
Ela sorriu e se aproximou para beijá-lo.

Foi quando uma corda fina — surgindo debaixo da manga de seu paletó — se lançou ao redor do corpo da mulher, enrolando-a como uma marionete e erguendo-a no ar.

Gritos.
Gritos da filha.
Gritos da esposa.
Gritos... e então, silêncio.

A casa ficou coberta de sangue.

A filha, agora de joelhos, parou diante do corpo caído e sem vida do pai.
Silenciosa.

Tomou o balão de rosto em suas mãos.

E, com os olhos cheios de dor, perda... e algo mais profundo — propósito —, ela caminhou para longe.
Desapareceu.

O tempo passou.

Oitenta e quatro anos depois, em um dia igualmente chuvoso, uma senhora muito idosa apareceu na rua.
Vendia balões — e um deles tinha o formato de um rosto usando chapéu.

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