Fuja. Fuja. Fuja:

Era noite.
Uma mãe levava sua filha pequena a um prostíbulo — era ali que ela trabalhava.

Deixava a menina na recepção enquanto atendia seus clientes.
A criança, solitária e entediada, se perguntava o que a mãe fazia com aqueles homens atrás das portas sempre fechadas.

Cansada de esperar o trabalho da mãe terminar, e com a vontade de urinar surgindo de repente, resolveu sair.

A recepcionista, ocupada demais com os frequentadores, nem percebeu.

Lá fora, nos fundos do prédio, havia um beco.
A menina precisava fazer xixi, estava muito apertada, mas não queria incomodar a recepcionista nem a mãe.
Sabia que os banheiros ficavam nos quartos — os mesmos para onde sua mãe e outras mulheres iam com aqueles homens estranhos.

Então decidiu entrar no beco e fazer ali mesmo, mas, antes que entrasse, um homem a viu.

Aproximou-se devagar, com um sorriso disfarçado, e perguntou:

— O que uma florzinha como você está fazendo aqui sozinha?

— Estou apertada... preciso fazer xixi — respondeu a criança, inocente.

O homem parecia gentil.
Pegou sua mão e a levou para o beco.

O beco cheirava a mofo e lixo molhado.

Mas ali, a gentileza virou monstruosidade.

A menina tentou gritar, tentou correr… mas a escuridão engoliu seus pedidos de socorro.

Morreu ali, no silêncio.

Sua alma, no entanto, jamais descansou.
Perdida entre planos, via o rosto daquele homem em todos os cantos — como se ainda a perseguisse.

Chorava. Corria. Chamava pela mãe.
Mas ninguém ouvia.

O tempo passou, e o medo a deformou.
Sua alma se tornou uma entidade.

Agora, é um ser sem corpo — apenas um rosto apavorado, deformado como o de um sapo. Sempre fugindo. Sempre chorando.
Da retaguarda de seu "corpo", jorra uma fumaça esbranquiçada, deixando um rastro por onde passa.

Dizem que, quando alguém está em perigo real — prestes a ser ferido, perseguido ou morto —, ela aparece.
Corre em sua direção e, ao atravessar o corpo da pessoa, uma onda de adrenalina toma conta.

Um único impulso domina tudo:

Fuja. Fuja. Fuja.




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