Corno Dançarino – Arauto dos Chifres:
Conto baseado na história do Espírito do Corno, da página do Facebook: Histórias aleatórias sem qualidade ou importância pra humanidade.
Link da história na qual me baseei para criar esse conto: Espírito do Corno
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Corno Dançarino – Arauto dos Chifres:
Um garoto vivia feliz com seus pais. Mas, certo dia, tudo começou a mudar. Seu pai passou a agir de forma estranha — bebia mais do que o normal, discutia constantemente com a esposa... e logo as brigas se transformaram em agressões.
Cansada daquele inferno, a mãe decidiu pôr um fim em tudo. Terminou o relacionamento e levou o filho consigo.
Foi só após a separação que a verdade veio à tona: o pai tinha uma amante... e um filho com ela. Toda a violência e o afastamento agora tinham uma explicação cruel — ele queria se livrar da antiga família para viver com a nova.
Ao ver a mãe sofrer tanto — já que, mesmo após o término, ela nunca superou a dor que a corroía por dentro, ao ponto de tirar a própria vida —, o garoto jurou para si mesmo que jamais seria como o pai. Aquele era o tipo de pessoa que ele mais odiava; afinal, ser um reflexo dele seria o mesmo que desonrar a memória de sua mãe.
Devido a tudo isso, ele acabou desenvolvendo um trauma profundo sobre a traição.
Anos se passaram. Já adulto, ele conheceu o amor da sua vida. Dedicou-se por completo: comprava as melhores roupas, pagava os melhores jantares, fazia tudo para agradá-la.
Mas, com o tempo, ela começou a agir de forma estranha. Às vezes demorava para responder, ignorava as ligações, sempre arranjava desculpas para não se encontrarem.
E ele, querendo confiar, acreditava que era apenas a correria do dia a dia. Talvez ela só precisasse de um tempo.
Na noite em que planejava pedi-la em casamento, decidiu fazer uma surpresa. Mas, ao chegar próximo à casa dela, viu um homem elegante bater à entrada.
Escondeu-se atrás de uma árvore... e presenciou seu pior pesadelo: sua noiva abriu a porta e o beijou apaixonadamente.
Os dois se agarraram com selvageria, rindo, e entraram juntos, fechando a porta atrás de si.
Destruído, o homem tentou continuar vivendo. Mas a dor da traição era profunda.
E o pior não era só o sofrimento... eram as piadas, que alimentavam o trauma.
— “E aí, chifrudo?”
— “Tá ensaiando pra dança dos cornos?”
— “Opa, segura os galhos aí!”
Os conhecidos zombavam dele, chamando-o de corno constantemente. Ele fingia rir, fingia que não ligava... Mas, por dentro, estava em pedaços.
Até que, um dia — assim como sua mãe — decidiu acabar com tudo.
Amarrou uma corda em uma árvore, colocou um crânio de boi sobre a cabeça... pois acreditava que as pessoas já não viam mais seu rosto — apenas os longos chifres. E se enforcou.
Mas sua alma...
Não descansou.
Não podia.
A marca da traição o perseguia.
A dor... era maior que a morte.
Perdido, percebeu algo estranho. Conseguia... entrar nos sonhos das pessoas — especialmente daquelas que estavam sendo traídas.
Tentava alertá-las, mostrar a verdade... mas, ao acordarem, ninguém se lembrava.
Foi então que entendeu: precisava marcar.
Lembrou-se da forma como morreu... e aceitou aquela aparência.
Agora, sua cabeça era o crânio de um boi — com chifres imensos e tortos, que pareciam arranhar o céu. Seus olhos... vazios. Sem vida. Sem luz. Seu corpo... nu. Magro. Coberto apenas por um manto esfarrapado, que balançava com o vento dos pesadelos.
Tinha quatro braços. Quatro.
Cada um simbolizando uma fase de sua dor: Amor. Traição. Humilhação. Morte.
Desde então, ele aparece nos sonhos dos traídos. Dança de forma estranha... engraçada... e monstruosa — para que ninguém esqueça sua presença.
Pois, se você o vir dançando em seu sonho, não tenha dúvidas: Você está sendo traído.
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