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Leão, o Governador:

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Capítulo 4: Foi noticiado que o Pato Assassino morreu. Sua morte saiu em todos os jornais. O povo comemorava nas ruas, com o céu nublado — não por nuvens, mas pela fumaça das grandes fábricas. A morte daquele que acreditavam ser o maior criminoso de todos trouxe uma falsa esperança: talvez, enfim, o povo pudesse ter justiça. Davi, o Leão Dourado, fazia uma festa em um salão luxuoso. Convidou vários políticos, empresários, banqueiros, juízes, promotores, jornalistas, artistas, influenciadores, líderes religiosos e até a alta cúpula militar. Mas, antes de chegar à festa, discursou em frente à delegacia, câmeras apontadas para ele: — Essa foi uma operação muito perigosa. Sacrificamos muitos homens bons, que lutaram até o fim contra um mal maior, mas suas mortes não foram em vão. Enfim, eliminamos aquele que representava o maior perigo para a sociedade: um assassino sanguinário que matava a sangue frio. Finalmente, a era do maior assa...

Tucano Jornalista:

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Capítulo 3: Depois de concluir a faculdade de Jornalismo, Fernando conseguiu uma vaga como estagiário em um jornal local. Assim como na faculdade, uma das coisas que aprendeu foi que sempre deveria olhar e entender o lado do agressor, mostrando a versão dele e, muitas vezes, colocando a vítima como vilã. Afinal, diziam que os criminosos eram vítimas de uma sociedade opressora. Essa era a visão que Fernando absorveu. Ele fazia seu trabalho com afinco, até que um dia seu chefe o parabenizou. O jornal fazia parte de uma companhia maior e, impressionado com seu desempenho, transferiu-o para a televisão. Com o tempo, várias pessoas que compartilhavam da mesma linha de pensamento passaram a gostar cada vez mais dele, até que Fernando se tornou muito famoso no jornal televisivo. Mas certo dia, quando tudo parecia estar dando certo, recebeu uma ligação: seu irmão e a cunhada haviam sido assaltados e mortos por criminosos. Ali, seu mundo desabou. Nunca imaginou que aqueles ...

Gato Detetive:

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Capítulo 2: Minhas orelhas se eriçaram ao ouvir o leve clique do teclado. Movi-me em silêncio, como só um gato consegue, e encontrei minha assistente copiando arquivos do computador central da delegacia, aproveitando que não havia ninguém por perto. Percebi que as câmeras estavam desligadas — e, assim que ela terminou, tudo voltou ao normal. Continuei reunindo provas, mas o que mais me intrigava era outro detalhe: toda vez que ela conseguia informações sobre algum criminoso, esse animal aparecia morta poucos dias depois. Comecei a suspeitar de que ela estivesse trabalhando para algum assassino que tinha como único padrão eliminar outros criminosos — mas eu não conhecia ninguém que agisse assim. Num dia nublado, segui-a em silêncio. Meus passos eram leves, invisíveis, como os de um caçador noturno. Na praça, ela se sentou ao lado de um pato que aparentava certa idade. Aquilo não fazia sentido — a idade não batia. Mas eu conhecia apenas ...

Pato Assassino:

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Capítulo 1: Um pato que mata sempre da pior forma possível. Um assassino cruel. Ele elimina animais de baixo a alto escalão, principalmente aquelas com forte influência no País. Há uma recompensa enorme por sua cabeça, e a polícia o persegue há anos. Como se não bastasse, todo o submundo do crime também está atrás dele. Era mais um dia nublado. Um pato, vestindo um sobretudo comum, chapéu, óculos escuros, barba grisalha falsa e apoiado em uma bengala, estava sentado em um banco de praça. Uma raposa, também de sobretudo, chapéu e óculos escuros redondos, sentou-se ao seu lado. Ele acendeu um cigarro e perguntou: — Algum trabalho novo? Ela entregou dois envelopes com o mesmo conteúdo, só que cada um possuía um tipo de escrita diferente. Ao abrir um deles, ele passou a mão nas folhas. O pato sorriu: — Demorou, mas fico feliz que tenha conseguido localizar a carga. Deixa comigo, eu faço o resto. — Odeio ter que te ajudar. Coloco minha cabeça em risco — disse...

Zona de Escape:

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Antes de me tornar um músico de sucesso, eu era espancado e abusado pelo meu padrasto. Aquele desgraçado. Todo santo dia. Lembro com clareza daqueles dias. O cinto estalava no ar como um chicote. Eu não chorava. Já tinha aprendido que chorar só piorava tudo. Minha mãe assistia da porta. Não fazia nada. Nunca fazia. Depois da surra, ele tirava minha roupa... Aquilo... Maldito. Desgraçado. Nunca vou perdoá-lo. Minha mãe também era maltratada por aquele verme. Mesmo assim, ainda defendia o canalha e justificava o que ele fazia comigo e com ela. Uma verdadeira vadia. Cansado da situação, fugi de casa. Conheci algumas pessoas na rua e sobrevivíamos roubando. Um dia, o líder do grupo foi morto por um policial. Nos separamos. Foi nessa época que encontrei uma banda de garagem. Viramos grandes amigos. Eu cantava bem — muito bem. Um dia, estouramos. Fama da noite para o dia. Várias gravadoras nos queriam. Fechamos contrato com uma. Dali em diante, foi ...

Esperança tola:

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Você já sentiu que tudo o que faz é à toa? Que, no fim, ninguém vai te reconhecer ou lembrar — e que, com o tempo, tudo o que você fez será perdido? Sinto isso constantemente. Fico triste ao pensar que talvez tudo o que eu faça seja para nada. Queria que minha vida tivesse um propósito, mas muitas vezes me vejo como alguém insignificante. Talvez a única coisa que me faça continuar seja uma pequena esperança — quase inexistente — de que, no final, algo do que eu fizer possa dar certo. Uma esperança tola, eu admito. Esforço e dedicação parecem não importar se você não tiver sorte. (Claro, estou partindo do princípio de que você seja “ninguém”, só mais uma pessoa comum. Porque, se for rico ou tiver alguém influente ao seu lado, já nasceu com sorte.) A sorte, para mim, é mais importante que o trabalho duro. Já ouviu aquele ditado: “Estar na hora certa, no lugar certo”? Isso é real. Você pode ser o melh...

O destino é seletivo? Ele tem seus favoritos?

Já parou para pensar que talvez você só seja reconhecido depois da morte? Ou, às vezes, nem isso? Admiro aqueles que têm sorte. Nesta vida, sorte é tudo — ou, ao menos, nascer com privilégios já é um bônus de sorte. É verdade que dá pra fazer certas escolhas que aumentam suas chances, mas, se você for muito azarado, o azar te puxa para baixo, mesmo que tente fazer tudo certo. Se o azar te marcou, sinto muito: por mais que se esforce, seu destino é falhar e cair no esquecimento. No mundo, existem aqueles que nascem para ser os protagonistas. Mas, assim como na ficção, os personagens principais são sempre poucos — não tem como todo mundo ser. O resto nasce para ser figurante, infelizmente. Não há nada mais injusto do que o próprio destino. Mas o mais triste de tudo é que você nunca sabe se foi marcado pela sorte ou pelo azar. No fim, só tentando para descobrir.