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Empatia seletiva: a compaixão tem classe?

Já parou para pensar nessa coisa de empatia? As pessoas parecem sentir mais pena de um empresário rico do que de alguém que está morrendo de fome. O que quero dizer é que elas conseguem enxergar o lado do empresário — falam sobre os impostos que as empresas precisam pagar, as dificuldades para contratar funcionários, os processos que podem sofrer... Mas, quando se trata de alguém passando fome, doente, com dificuldades financeiras ou enfrentando problemas mentais, simplesmente não se importam. Para elas, é “frescura”, “falta de esforço”, “preguiça”. O pessoal do agronegócio, por exemplo, prefere vender seus produtos para fora do país a abastecer o mercado interno. E, mesmo assim, as pessoas conseguem entender o lado deles. Dizem-se patriotas, mas, na hora de vender, mandam o melhor para fora e deixam o que sobra — ou o que não presta — para o próprio povo. Muitas vezes, preferem jogar toneladas de alimentos fora a doar para quem realmente precisa. É revoltante perceber como a ...

Planta Caótica:

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Em meio à floresta Amazônica, um botânico estudava algumas plantas locais quando encontrou algo peculiar — uma flor que ele nunca havia visto antes. Era pequena, coberta por espinhos, mas havia algo diferente nela, algo que ele não conseguia explicar. Parecia ainda não ter florescido. Curioso, ele a colocou em um vaso para estudá-la melhor. Depois de uma longa viagem de volta para casa, colocou a flor em sua estufa, sobre a mesa de estudos. Ali mesmo, ligou para seu antigo professor pelo telefone fixo, que ficava ao lado da mesa, já que a tela do smartphone parecia ter pifado. Queria contar sobre o achado — sem perceber que seu cachorro havia se aproximado da pequena flor. O animal começou a latir insistentemente, mas o dono, ocupado na ligação, ignorou os latidos... até que eles cessaram, de repente. Ao terminar a chamada, chamou pelo cachorro — mas ele não respondeu. Colocou ração, acreditando que ele apareceria, e foi dormir. No dia seguinte, cham...

Fuja. Fuja. Fuja:

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Era noite. Uma mãe levava sua filha pequena a um prostíbulo — era ali que ela trabalhava. Deixava a menina na recepção enquanto atendia seus clientes. A criança, solitária e entediada, se perguntava o que a mãe fazia com aqueles homens atrás das portas sempre fechadas. Cansada de esperar o trabalho da mãe terminar, e com a vontade de urinar surgindo de repente, resolveu sair. A recepcionista, ocupada demais com os frequentadores, nem percebeu. Lá fora, nos fundos do prédio, havia um beco. A menina precisava fazer xixi, estava muito apertada, mas não queria incomodar a recepcionista nem a mãe. Sabia que os banheiros ficavam nos quartos — os mesmos para onde sua mãe e outras mulheres iam com aqueles homens estranhos. Então decidiu entrar no beco e fazer ali mesmo, mas, antes que entrasse, um homem a viu. Aproximou-se devagar, com um sorriso disfarçado, e perguntou: — O que uma florzinha como você está fazendo aqui sozinha? — Estou apertada... preciso f...

Estamos fadados ao esquecimento digital?

Já parou para pensar que todo o acervo digital pode acabar algum dia? Seja por uma catástrofe natural, como explosões solares, ou por medidas tomadas por grandes empresas — como o Google, que agora exclui sua conta se você não acessá-la por dois anos. Ou seja, imagine todas aquelas boas lembranças que você salvou… Se você for um artista ou escritor, tudo será perdido caso morra e não tenha alguém para manter sua conta ativa. Todos os seus anos de trabalho e dedicação, todo o seu legado, simplesmente desaparecendo de uma só vez. Talvez a solução seja salvar tudo em HDs externos. Mas há um problema: HDs podem falhar quando você menos espera. É difícil. Mesmo que você confie em outras empresas além do Google, elas também podem mudar suas regras a qualquer momento. Se o Google está fazendo isso, é questão de tempo até que as outras companhias de nuvem sigam o mesmo caminho — o famoso “efeito manada”. E as redes sociais? Já pensou que tudo que está nelas também pode desaparecer? Nem ...

Balão em formato de rosto com chapéu:

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Chovia forte. Um homem corria pela calçada, segurando a pasta sobre a cabeça na tentativa inútil de se proteger da tempestade. Apressado, ele quase não percebeu a figura à beira da rua — uma senhora muito idosa, parada sob uma sombrinha gasta, vendendo balões. Ele hesitou. Então lembrou: era o aniversário de sua filha. Sentiu-se culpado. Pensou em comprar alguns balões para agradá-la, mesmo que chegasse encharcado em casa. Entre todos os balões coloridos, um chamou sua atenção: era diferente, em formato de rosto, com um pequeno chapéu sobre a “cabeça”. Estranhamente cativante. — Quero aquele — disse ele, apontando. — E mais alguns, por favor. A velha o encarou por um breve instante, com um sorriso que parecia mais antigo que ela mesma. Entregou-lhe o balão de rosto... e mais dois, de graça. — Um presente — sussurrou. Confuso, mas sem tempo para questionar, o homem agradeceu e seguiu seu caminho sob a chuva. Foi então que começou a sentir u...

Garoto Cabeça de Luz:

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Em um ambiente escuro e deserto, totalmente isolado, a bateria do celular havia acabado. Perdido e sozinho naquela imensidão de sombras, o homem se afundava na escuridão. De repente, uma luz surgiu diante dele. Curioso e esperançoso, aproximou-se — e então viu: uma criança. Mas, em vez de uma cabeça, havia uma lâmpada brilhando no lugar. Assustado, caiu no chão. A criança não disse nada. Apenas apontou para uma direção. Ela queria guiá-lo. O homem se levantou, confuso, e tentou falar com aquela figura estranha. Mas a criança não respondia. Apenas caminhava adiante, iluminando o caminho. Achando que era apenas uma brincadeira — talvez uma criança fantasiada tentando assustá-lo —, o homem pegou uma pedra grande que carregava na mochila, guardada justamente para se proteger naquele escuro, caso alguém tentasse algo. E, num impulso tolo, quebrou a lâmpada. A luz se apagou. Tudo… tudo virou escuridão. Mas o que emergiu da lâmpada quebrada que era a cabeça...

Baleia Branca/ Baleia Albina:

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Dizem que, certa vez, um marinheiro solitário enfrentou as fúrias do mar. Tempestades rasgavam os céus, e as ondas, famintas, engoliam seu barco sem piedade. Naquele abismo de água e desespero, ele viu o fim. Mas, no fundo do oceano, entre sombras e correntes, uma forma branca e imensa surgiu — silenciosa, serena. Quando abriu os olhos, estava vivo, deitado na areia de uma ilha esquecida pelo mundo. A baleia branca o salvara. Tornou-se seu mito, sua guia, sua luz no abismo. Mas toda luz lança sombras. A ilha era prisão. Os dias, iguais. A sanidade, um fio tênue entre lembrança e delírio. E o marinheiro, agora um náufrago da própria mente, passou a odiar aquilo que o salvara. Anos depois, com olhos vazios e coração de sal, construiu uma jangada com as próprias mãos trêmulas e lançou-se ao mar, gritando por liberdade. A baleia veio. Branca como a morte. Silenciosa como o fim. E, sem violência, o engoliu. Sem dor. Sem resistência. Apenas o f...