Postagens

Dragão Gosma – O Destino Amaldiçoado:

Imagem
Certo dia, numa rua movimentada, uma criança faminta e completamente ferida vagava sozinha. Justamente naquela tarde, a carruagem real passava por ali. O rei, ao notar o menino naquele estado, ordenou que parassem e desceu, sob os olhares encantados da multidão. Aproximando-se da criança, disse: — Venha comigo. Nunca mais passará fome. Mas, para isso, terá que trabalhar. O garoto, sem alternativa, aceitou. Trabalhar para o rei não parecia ruim para alguém que nascera pobre — talvez fosse sua maior chance. No castelo, o rei apresentou-o ao seu leal serviçal real: — Este será seu aprendiz. Quero que o torne tão bom quanto você. Parece que ele era um escravo… se possível, trate-o bem para superar esse trauma. O mestre era rígido e exigente, mas o tratava com respeito. O garoto dedicava-se com afinco. Nos momentos de descanso, sentava-se num canto do jardim real, observando a beleza do lugar. Foi ali que conheceu uma garota da sua idade, vestida com um refinado vestido. — ...

A última sereia:

Imagem
Em meio a fortes chuvas, no fundo do mar, vivia um casal de sereias que caçava peixes. Após a caçada, estavam a caminho de sua toca quando perceberam que sua filha havia saído e os acenava alegremente. Um peixe gigante, companheiro fiel da família, tentou chamá-la de volta para a toca, mas ela o ignorou e chamou pelos pais. Desesperados, os dois nadaram em sua direção o mais rápido que puderam. Mas era tarde demais. Ele a havia encontrado: o Kraken, um monstro colossal de muitos tentáculos, aproximava-se por baixo da pequena sereia. Os pais, em um ato de desespero, usaram sua voz melódica para chamar a atenção do monstro. E funcionou — o Kraken mudou de direção, indo atrás deles. Eles nadaram para o lado oposto da toca. A pequena sereia entrou em pânico, mas o peixe gigante a puxou pelos cabelos e a arrastou para dentro da toca. Gritos ecoaram pelas profundezas, distantes, cheios de dor e pavor… e então cessaram. A pequena sereia c...

Empatia seletiva: a compaixão tem classe?

Já parou para pensar nessa coisa de empatia? As pessoas parecem sentir mais pena de um empresário rico do que de alguém que está morrendo de fome. O que quero dizer é que elas conseguem enxergar o lado do empresário — falam sobre os impostos que as empresas precisam pagar, as dificuldades para contratar funcionários, os processos que podem sofrer... Mas, quando se trata de alguém passando fome, doente, com dificuldades financeiras ou enfrentando problemas mentais, simplesmente não se importam. Para elas, é “frescura”, “falta de esforço”, “preguiça”. O pessoal do agronegócio, por exemplo, prefere vender seus produtos para fora do país a abastecer o mercado interno. E, mesmo assim, as pessoas conseguem entender o lado deles. Dizem-se patriotas, mas, na hora de vender, mandam o melhor para fora e deixam o que sobra — ou o que não presta — para o próprio povo. Muitas vezes, preferem jogar toneladas de alimentos fora a doar para quem realmente precisa. É revoltante perceber como a ...

Planta Caótica:

Imagem
Em meio à floresta Amazônica, um botânico estudava algumas plantas locais quando encontrou algo peculiar — uma flor que ele nunca havia visto antes. Era pequena, coberta por espinhos, mas havia algo diferente nela, algo que ele não conseguia explicar. Parecia ainda não ter florescido. Curioso, ele a colocou em um vaso para estudá-la melhor. Depois de uma longa viagem de volta para casa, colocou a flor em sua estufa, sobre a mesa de estudos. Ali mesmo, ligou para seu antigo professor pelo telefone fixo, que ficava ao lado da mesa, já que a tela do smartphone parecia ter pifado. Queria contar sobre o achado — sem perceber que seu cachorro havia se aproximado da pequena flor. O animal começou a latir insistentemente, mas o dono, ocupado na ligação, ignorou os latidos... até que eles cessaram, de repente. Ao terminar a chamada, chamou pelo cachorro — mas ele não respondeu. Colocou ração, acreditando que ele apareceria, e foi dormir. No dia seguinte, cham...

Fuja. Fuja. Fuja:

Imagem
Era noite. Uma mãe levava sua filha pequena a um prostíbulo — era ali que ela trabalhava. Deixava a menina na recepção enquanto atendia seus clientes. A criança, solitária e entediada, se perguntava o que a mãe fazia com aqueles homens atrás das portas sempre fechadas. Cansada de esperar o trabalho da mãe terminar, e com a vontade de urinar surgindo de repente, resolveu sair. A recepcionista, ocupada demais com os frequentadores, nem percebeu. Lá fora, nos fundos do prédio, havia um beco. A menina precisava fazer xixi, estava muito apertada, mas não queria incomodar a recepcionista nem a mãe. Sabia que os banheiros ficavam nos quartos — os mesmos para onde sua mãe e outras mulheres iam com aqueles homens estranhos. Então decidiu entrar no beco e fazer ali mesmo, mas, antes que entrasse, um homem a viu. Aproximou-se devagar, com um sorriso disfarçado, e perguntou: — O que uma florzinha como você está fazendo aqui sozinha? — Estou apertada... preciso f...

Estamos fadados ao esquecimento digital?

Já parou para pensar que todo o acervo digital pode acabar algum dia? Seja por uma catástrofe natural, como explosões solares, ou por medidas tomadas por grandes empresas — como o Google, que agora exclui sua conta se você não acessá-la por dois anos. Ou seja, imagine todas aquelas boas lembranças que você salvou… Se você for um artista ou escritor, tudo será perdido caso morra e não tenha alguém para manter sua conta ativa. Todos os seus anos de trabalho e dedicação, todo o seu legado, simplesmente desaparecendo de uma só vez. Talvez a solução seja salvar tudo em HDs externos. Mas há um problema: HDs podem falhar quando você menos espera. É difícil. Mesmo que você confie em outras empresas além do Google, elas também podem mudar suas regras a qualquer momento. Se o Google está fazendo isso, é questão de tempo até que as outras companhias de nuvem sigam o mesmo caminho — o famoso “efeito manada”. E as redes sociais? Já pensou que tudo que está nelas também pode desaparecer? Nem ...

Balão em formato de rosto com chapéu:

Imagem
Chovia forte. Um homem corria pela calçada, segurando a pasta sobre a cabeça na tentativa inútil de se proteger da tempestade. Apressado, ele quase não percebeu a figura à beira da rua — uma senhora muito idosa, parada sob uma sombrinha gasta, vendendo balões. Ele hesitou. Então lembrou: era o aniversário de sua filha. Sentiu-se culpado. Pensou em comprar alguns balões para agradá-la, mesmo que chegasse encharcado em casa. Entre todos os balões coloridos, um chamou sua atenção: era diferente, em formato de rosto, com um pequeno chapéu sobre a “cabeça”. Estranhamente cativante. — Quero aquele — disse ele, apontando. — E mais alguns, por favor. A velha o encarou por um breve instante, com um sorriso que parecia mais antigo que ela mesma. Entregou-lhe o balão de rosto... e mais dois, de graça. — Um presente — sussurrou. Confuso, mas sem tempo para questionar, o homem agradeceu e seguiu seu caminho sob a chuva. Foi então que começou a sentir u...